Na manhã do terceiro dia, Maria Madalena foi ao sepulcro e encontrou-o vazio. Esta é representação de Giam Girolamo Savoldo daquele momento da história. Temendo que o corpo tivesse sido roubado, ela provavelmente estaria a chorar quando ouve algo, e olha para cima para ver o que interrompera a sua solidão.
Até aqui este quadro é uma ilustração bastante simples de uma história da Bíblia. Mas há aqui algo de errado, embora seja necessário procurar com atenção para o encontrar. A inconsistência está no canto esquerdo a este. É claro que o sol deve nascer a este, mas o que não deveria acontecer é a enchente de brilho, luz branca que atinge a túnica Maria cintilando pela direita.
Savoldo sabia o suficiente sobre pintura para não cometer um erro deste tipo, e nesta caso, a discrepância não é de todo um erro. A luz que brilha sobre Maria mais intensamente que o sol tenciona anunciar a presença do Messias ressurrecto e glorificado. O momento mostrado aqui poderá ser o momento quando Ele chama pelo seu nome e ela reconhece o Senhor.
Mas há algo ainda mais interessante que Savoldo fez com o olhar de Maria. Quando se observa o quando pendurado numa parede, é impossível escapar à sensação que Maria olha de relance precisamente para o lugar ocupado por quem observa do quadro. Podemos concluir que Savoldo lançou aqui um desafio. Ele implicitamente pergunta-te se Jesus habita tão intensamente a tua vida que qualquer um poderá vê-Lo através em ti, e ouvir no teu testemunho uma chamada tão poderosa e importante como se o próprio Criador do universo estivesse a chamar pelo nome.
Responder ao desafio de Solvado começa com a submissão a Cristo que comemoramos na cerimónia do baptismo. Hoje revisitamos aquele milagroso amanhecer para testemunhar a vida resgatada dos claustros da morte para a promessa da vida eterna – uma nova criação através da qual a luz de Cristo brilhará como um farol brilhante para aqueles que O buscam.
Savoldo

